Geografia

Repertório cultural não é igual para todos: Milton Santos e a nova Fuvest

Prova mais analítica e menos decoreba parece uma boa notícia. E é. Só que repertório cultural não está distribuído igualmente pelo território brasileiro.

8 min de leitura03 de agosto de 2026
Repertório cultural não é igual para todos: Milton Santos e a nova Fuvest

Prova mais analítica, menos decoreba, mais mundo real. Como professor, eu aplaudo.

Só que tem uma coisa que quase ninguém coloca na mesa: repertório cultural não está distribuído igualmente pelo território brasileiro.

Duas pessoas, duas provas

Quem assistiu O Agente Secreto no cinema de um shopping a 15 minutos de casa, com streaming em casa e a noite livre, não parte do mesmo lugar de quem mora numa cidade que não tem cinema há décadas e sai da escola direto para o turno da tarde no comércio.

Os dois vão receber a mesma questão. Não vão receber a mesma prova.

Milton Santos explica: o meio técnico-científico-informacional

Milton Santos mostra que o meio técnico-científico-informacional não se espalha de forma homogênea pelo país. Ele se instala em manchas.

Tem lugar onde a informação circula densa e rápida. E tem lugar onde ela chega fina, devagar, atrasada e filtrada.

Isso não é metáfora. É descrição do Brasil, e é descrição do próprio estado de São Paulo. Explica a desigualdade regional e explica também o acesso desigual a repertório.

Se a prova passa a premiar quem é "antenado", vale a pergunta: antenado com que rede, com qual tempo livre, com qual equipamento cultural por perto?

O ponto crítico: a prova migrou para um terreno que a escola não controla

Conteúdo escolar a escola ensina. É o trabalho dela.

Um professor de história de uma escola pública do interior de São Paulo ensina a Revolução Francesa tão bem quanto um professor de colégio caro dos Jardins. Às vezes ensina melhor. O conteúdo é o mesmo, o currículo é público, o material existe.

Repertório cultural, não. Ele se forma fora da escola: em casa, no tempo livre, na estante, na TV, no streaming, na conversa com amigos, no pai que tem experiência de vida e conhecimento acumulado.

Quando a prova migra de conteúdo escolar para repertório cultural, ela migra de um terreno que a escola controla para um terreno que a escola não controla. Esse é o nó.

Se você quer Fuvest, USP, Unicamp ou Unesp partindo de onde a informação chega mais devagar, você precisa de quem entende a banca por dentro e entrega repertório organizado. GabaritaGeo: a única plataforma 100% especialista em Fuvest. https://www.gabaritageo.com.br

A melhor objeção do outro lado (e ela tem razão em parte)

Alguém vai dizer: "Jean, você está defendendo a decoreba. A prova antiga também era elitista. Noventa questões enciclopédicas premiavam quem podia pagar três anos de cursinho para memorizar. A prova de repertório é mais justa porque valoriza pensamento, não memória."

Esse argumento tem razão, e eu não estou concedendo por educação.

A prova de decoreba era classista, sim. Ela transformava aprovação em horas de cadeira. E hora de cadeira é hora de luxo: só sobra tempo para quem não precisa trabalhar.

Eu sei disso porque fui aluno de escola pública do interior, trabalhava para pagar o cursinho e estudava de madrugada para recuperar defasagem.

Então qual é a conclusão?

Nenhum dos dois modelos é neutro. Cada um cobra um tipo de privilégio diferente:

ModeloO que premiaQuem é penalizado
Prova enciclopédicaHoras de estudo acumuladasQuem trabalha e tem pouco tempo
Prova de repertórioAcesso a bens culturais e informaçãoQuem vive onde a informação chega filtrada

A prova de repertório é melhor pedagogicamente. Ela forma leitor crítico e não papagaio. Mas ela só é mais justa se vier acompanhada de política de acesso: equipamento cultural, internet, biblioteca, tempo livre e escola que ensine leitura de mundo, não só conteúdo.

Como usar isso na sua redação e na sua prova

  • Repertório de redação: Milton Santos e o meio técnico-científico-informacional servem para temas de desigualdade digital, acesso à cultura, desigualdade regional, educação e mercado de trabalho.
  • Argumento pronto para desenvolver: mudar o critério de avaliação sem mudar as condições de acesso desloca a desigualdade, não a resolve.
  • Na prova objetiva: questões sobre cidade, rede urbana, fluxos de informação e desigualdade regional saem exatamente dessa discussão.

Fechando

Comemorar uma prova que pede leitura de mundo é justo. Fingir que todo mundo lê o mundo a partir do mesmo lugar, não.

Se você está lendo este texto, use isso a seu favor de duas maneiras: como estratégia de estudo e como repertório de análise crítica. As duas coisas valem ponto.

Cansou de material que trata todo mundo igual e ignora de onde você parte? O GabaritaGeo tem plataforma completa, mentoria direta com o Professor Jeangrafia e redação com correção humanizada. https://www.gabaritageo.com.br

Perguntas frequentes

O que é o meio técnico-científico-informacional de Milton Santos?

É o período em que ciência, técnica e informação se integram na produção do espaço. Para Milton Santos, esse meio não se distribui de forma homogênea pelo território: ele se concentra em manchas onde a informação circula de forma densa e rápida.

Por que a prova por repertório pode ser desigual?

Porque repertório cultural se forma fora da escola: em casa, no tempo livre, no acesso a cinema, streaming, livros e conversas. Esse acesso varia muito conforme região, renda e disponibilidade de tempo do estudante.

A prova de decoreba era mais justa que a de repertório?

Não. A prova enciclopédica premiava horas de cadeira, algo que só quem não precisa trabalhar consegue acumular. Os dois modelos cobram privilégios diferentes; a prova de repertório é melhor pedagogicamente, mas exige política de acesso à cultura.

Como usar Milton Santos como repertório na redação?

Use o conceito de meio técnico-científico-informacional em temas de desigualdade digital, acesso à cultura, desigualdade regional e educação, mostrando que a informação chega ao território de forma desigual.

Como construir repertório morando longe de equipamentos culturais?

Priorize fontes gratuitas e organizadas: jornais e portais de qualidade, documentários, podcasts, bibliotecas públicas e plataformas de estudo que já conectam atualidades com conteúdo de prova. O que falta em acesso se compensa com método e constância.

Quer estudar com profundidade, estratégia e professores que entendem de vestibular?

Conheça o GabaritaGeo e comece sua preparação agora.

Acessar GabaritaGeo
#milton santos#meio técnico científico informacional#desigualdade regional#fuvest 2027#repertório cultural#redação#geografia
Cluster · Geografia

Continue lendo em Geografia

Ver tudo de Geografia
Newsletter

Receba conteúdos que podem mudar sua preparação

Cadastre seu e-mail e receba análises, dicas de estudo e temas importantes para os vestibulares. Nada de spam — só o que ajuda você a passar.